04/07/08

Coisas do passado que, hoje, não funcionariam

A constante evolução a qual da humanidade experimenta todos os dias cria espécies de paradoxos dos tempos modernos. Traduzindo numa linguagem humana, quero dizer que algumas coisas que outrora eram cultuadas, e vistas sem nenhuma malícia, se fossem novidades hoje, fariam seus criadores serem açoitados em praça pública.

Não é preciso voltar muito no tempo, ou mesmo pesquisar a fundo o comportamento de dez, vinte anos atrás, para constatar tais saias justas temporais. Basta pensar, e tenho certeza de que alguma tosqueira, por menor que seja, lhe vira à mente.

Quer exemplos?

Separei três. São bem divertidos, e em áreas diversas: alimentação, cinema e música.

Cigarrinho de chocolate

Cigarrinho de chocolate PAN.

Quem, com mais de vinte anos, nunca “fumou” um cigarrinho de chocolate? Vamos lá, admita… Sei que é constrangedor brincar de fumar, mas de qualquer maneira era melhor fazer com um palito de chocolate do que com um cigarro de verdade, não?

O cigarrinho de chocolate era produzido pela PAN (ainda existe?), e tinha um menininho na capa fumando. Politicamente incorreto até a medula, mas ainda assim fazia o maior sucesso entre a molecada. A disputa era ferrenha entre o cigarrinho de chocolate e os lápis de chocolate, mas na maior parte das vezes, os cigarros ganhavam. Afinal, fumar era sinônimo de nobreza, “chiquetês”, e além disso, uma maneira de imitar nossos pais, tios e avôs.

A Resolução nº 304, de 2002, da ANVISA, proibiu a comercialização de quaisquer produtos alimentícios na forma de cigarros. Óbvio que o alvo da resolução eram os cigarrinhos da PAN… Só sei que marcou época, deixará saudades, e mesmo alguns dizendo que ele pode voltar, eu não arriscaria nem dois centavos nessa possibilidade.

Lolita

Imagine um senhor, com mais de 40 anos, mantendo uma relação de cunho sexual com uma garotinha de 13 anos. Este é o mote de Lolita, clássico literário escrito pelo russo Vladimir Nabokov, posteriormente transformado em filme, pelas mãos do gênio Stanley Kubrick, e mais recentemente, num remake dirigido por Adrian Lyne.

O enredo mostra um quarentão que descobre o prazer (e o amor) em Lolita, uma jovenzinha com idade para ser sua neta. Apesar de ser explicitamente pedófilo, o caso entre o professor Humbert e Lolita transcende esse aspecto, o põe como plano de fundo, e conta uma belíssima estória de amor, de amor incondicional do professor em relação à menina.

Lolita.

Hoje, com essa onda de tolerância zero contra a pedofilia (mais que correta, vale dizer), esse filme seria recebido com pedradas, e seus produtores e envolvidos, no mínimo presos e executados. Em 1997, no remake estrelado por Jeremy Irons e Dominique Swain, a produção encontrou resistência; imagine lançar algo assim, inédito, hoje…

Dá pra mim

Tá legal, eu confesso: o principal motivo para eu ter escrito este post, é compartilhar a pérola abaixo. No auge do sucesso, o grupo Polegar, comandado por Rafael Ilha, lançou o sucesso Dá pra mim, com o título e letra mais bizarros da história da música brasileira. Aumente Abaixe o som, e confira:

Então, cara, comigo esse papo de dá pra mim funcionava...

Mais bizarro que isso, só ver algum jovem cantando essa verdadeira declaração de amor a uma menina. Imagina?

Não liga não baby
Dá pra mim o seu amor,
Dá pra mim
Não se preocupe que eu serei um bom rapaz

Essa letra é perversamente ambígua. Medo.

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9 comentários

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  1. Tranceman, em 08/07/08, às 01:24, disse:

    Alguem já reparou que esse moleque dos cigarrinhos parece o Dadinho do Cidade de Deus??

    FLWS!!!

  2. GAS, em 08/07/08, às 03:35, disse:

    Dadinho eh o car**** o nome dele eh zeh pequeno! Desculpa a piada idiota, nao pude resistir…

  3. Zé da Silva, em 08/07/08, às 08:51, disse:

    Uahuauhahuauhahauha.. Descobriram a origem do Zé Pequeno: depois de perder o emprego como garoto propaganda dos cigarrinhos de chocolate da PAN, ele caiu no crime e virou um mega-traficante (e astro de cinema)!

    Abs.

  4. Joás, em 08/07/08, às 10:35, disse:

    Dá pra mim pegaria hoje sim.

    Com tantos “Créu”, e outras letras com teor (totalmente pornográficos) digo, de duplo sentido, dá pra mim seria musiquinha infantil

  5. CESAR, em 08/07/08, às 12:01, disse:

    Os cigarrinhos ainda existem, só que agora com o nome politicamente correto de rolinhos de chocolate.

  6. Franco, em 08/07/08, às 13:07, disse:

    Para um cara de 45 anos ter uma neta de 13, tanto ele quanto seu filho(a) deveriam ter tido filhos com 16 anos…

    É possível, mas meio forçado né ?

  7. Marcos, em 18/07/08, às 21:04, disse:

    Essas pérolas dos Anos 80 servem para nos divertirmos até hoje. No link abaixo, tem um video que meus amigos e eu fizemos com a música Dá pra Mim, do Polegar. Bem mais saudável que algumas músicas de hoje…
    http://www.youtube.com/watch?v=jN67aPLSTV8

  8. Zé da Silva, em 23/07/08, às 08:19, disse:

    Joás, a diferença é que as “pornografias” de hoje têm cunho humorístico, sacana, diferentemente da seriedade que se vê nas três peças mostradas no texto. Por isso acho que, hoje, elas não colariam.

    Cesar, que legal, eu realmente não sabia disso! Vou procurar os cigarr… ops, os rolinhos de chocolate.

    Franco, é, realmente… Mas ainda assim seria estranho ver um cara de 45 anos beijando uma menina de 13.

    Marcos, sua paródia ficou muito boa! Vale até um post no Do Povão! :D

    Abs. para todos!

  9. Dezinha, em 21/11/08, às 16:15, disse:

    A Pan existe e ainda faz os lapis de chocolate e as moedinhas hummm

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